Dicas Para se Sentir em Casa em Terra Estrangeira

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Mudar para um país diferente é realmente uma aventura emocionante! Mas quando a emoção inicial acaba, o que resta, muitas vezes, é a solidão e a sensação de estar fora do lugar. Como expatriada, eu entendo estes sentimentos muito bem e tenho algumas dicas sobre como superá-los.

Uma das coisas que todos nós, como expatriados, temos que lidar nos primeiros meses após a mudança para um lugar novo, é aquele sentimento de “peixe fora d’água”, uma sensação de estranheza quando você anda na rua, vai a um shopping ou dirige (e se perde) por aí. É o sentimento que faz você sentir falta do lugar de onde veio, dos sons, lugares e rostos familiares. Essa sensação dura mais tempo para alguns do que para outros.

Dicas Para se Sentir em Casa em Terra Estrangeira

Às vezes, nem é preciso sair do país para se sentir assim. Eu me lembro que precisei lidar com isso no ano de 1999, quando eu saí da minha cidade, no interior de São Paulo, e fui morar na capital com meu namorado. Mesmo estando junto de um rosto familiar, ainda me lembro da sensação de solidão que tomou conta de mim nas primeiras semanas. Tudo era novo e deveria ter sido emocionante, mas eu simplesmente não me identificava com o lugar. As ruas eram muito grandes, barulhentas, os rostos desconhecidos, as pessoas achavam graça do meu sotaque arrastado do interiorrrrrrr e eu me sentia, constantemente, em um estado de ansiedade e de não pertencimento.

Hoje, morando em outro continente com meu noivo e tendo família aqui, ainda assim este sentimento de “o que eu estou fazendo aqui”? insistia em aparecer.

Mas isso tudo mudou depois de uma conversa que tive com uma amiga que mora longe do seu país de origem há mais de 20 anos. Ela disse que dependia de mim fazer do lugar a minha casa e treinar meu cérebro para reconhecê-lo como um lugar ao qual eu pertencia. Ela me deu algumas dicas, mas a que mais me marcou foi a de que eu deveria começar identificando um lugar do bairro onde eu fosse com frequência. Poderia ser um restaurante, uma academia, uma praça ou um shopping. Decidi escolher dois lugares: uma praça, onde eu vou todos os dias com a minha cachorra, e uma rua movimentada, cheia de lojinhas, bem perto de casa.

DICAS – Saia e explore!

No começo, enquanto a parte burocrática estava tramitando (emissão de visto, escola do meu filho, cartão de seguro social, etc.) e eu não conhecia quase nada, eu costumava andar todos os dias pelos arredores. Ia sempre ao mesmo supermercado e acabei reconhecendo – e sendo reconhecida – por alguns dos funcionários. Depois de algumas semanas, eu passei a fazer caminhos diferentes para ir aos mesmos lugares. Assim, acabei descobrindo outros lugares interessantes na vizinhança, como uma loja de antiguidades, um salão de cabeleireiro e uma padaria super charmosa.

Eu fazia isso com frequência e comecei a me sentir mais confiante para falar com as pessoas e fazer amigos, mesmo não falando nenhuma das línguas oficiais do país. O fato de que eles me reconheciam tornava mais fácil para mim me sentir em casa. Em poucos meses, expandi meus horizontes e comecei a, de fato, apreciar a cidade. Mesmo dirigindo sem saber direito para onde e não entendendo alguns sinais de trânsito, não me sentia mais uma “estranha no ninho”.

E a tal da homesick?

De acordo com o dicionário Michaelis:

home.sick – adj saudoso da pátria, do lar. to be homesick, sentir saudade da pátria.

Faz quase um ano que cheguei em Luxemburgo. Outro dia, enquanto eu dirigia de volta para casa depois de levar meu filho para a escola, fiquei em dúvida sobre qual supermercado parar para comprar algumas coisas. Do nada, tive esse momento ‘flashback’ dos dias em que morava no Brasil e sabia exatamente onde ir, o que comprar e como chegar; dos dias em que não precisava passar horas perdida no supermercado, olhando para as prateleiras e tentando decifrar (normalmente pela figura) para o que servia aquele galão ou vidrinho. Hoje eu tiro essas coisas de letra (ok, as figuras ainda ajudam), e embora eu ainda sinta falta de algumas coisas que eu costumava fazer no Brasil com os “pés nas costas”, minha dica para as pessoas que lutam com a saudade e o saudosismo depois de mudar para um lugar novo é a seguinte:

Decida que o lugar onde você mora é a sua casa. Se você ficar por um mês, um ano ou pelo resto da sua vida, decida que você está deixando sua marca e criando uma nova história lá. Afinal de contas, lar é onde está o coração, não é?

Identifique um lugar que você possa – e queira – frequentar regularmente. Pode ser uma academia, uma biblioteca, um café, uma padaria ou uma livraria. Alternativamente, junte-se a um grupo que faça atividades com as quais você se relacione. Pode ser caminhada, culinária, grupo de mães, dança, festas, viagens, enfim, qualquer coisa que você sinta prazer em fazer.

No início, pode ser que você não se sinta muito confortável nesses lugares, mas como qualquer atividade nova, leva um tempinho até que você relaxe e se sinta parte do grupo, especialmente se houver alguma barreira (como a língua, por exemplo). É como o primeiro dia em uma escola nova. É estranho no começo, mas depois você se acostuma e acaba gostando.

Fale com pessoas que também vieram de outros países, troque experiências e impressões. Você pode se surpreender com a quantidade de gente que se sente exatamente como você – e com a quantidade de informações e dicas incríveis que vocês podem trocar!

Conheça o seu bairro. Ande por ele, caminhe por ruas diferentes, explore o que ele tem a oferecer.

À medida que você se sentir mais confiante, vá mais longe! Vale chamar algum amigo para fazer companhia ou explorar novos lugares com um grupo específico.

Grund

Aprenda a cultura ou a história do lugar. Eu acho fascinante quando descubro certas coisas sobre a minha nova casa, principalmente por ser um lugar que respira história. Procure a biblioteca local e devore todos os livros que puder!

Por último, mas não menos importante, lembre-se da razão pela qual você se mudou. Pode ter sido por uma questão profissional, pessoal ou mesmo uma decisão tomada em um momento de desespero, mas seja qual for a razão, você chegou até aqui e tem o direito – e o dever – de tirar o máximo de proveito disso.

A vida não é uma linha reta e tudo pode mudar em uma piscada, por isso aproveite o seu novo lar, dure o tempo que durar.